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História do Cinema: 1940-1949

A influência da II Grande Guerra no panorama cinematográfico mundial

A actriz Bette Davies a servir um soldado americano na cantina militar "Hollywood Canteen"

A actriz Bette Davies a servir um soldado americano na cantina militar "Hollywood Canteen"

A 2ª Grande Guerra Mundial é o grande acontecimento da década de 1940 e está na origem da mudança do panorama cinematográfico mundial, reflectindo-se no número de filmes produzidos e nos temas abordados.

Inevitavelmente, a Europa foi onde os efeitos do conflito se mais fizeram sentir: se por um lado grande parte dos países viram a sua produção diminuir drasticamente, outros, como a Alemanha e a União Soviética, chegaram a aumentar a sua produção. Devido ao regime vigente, a Alemanha manteve uma produção activa com mais de mil filmes produzidos durante os anos em que Adolph Hitler esteve no poder, na sua maioria filmes de propaganda. Após a guerra e com a divisão da Alemanha, a produção igualmente se dividiu, reflectindo visões artísticas diferentes. No caso soviético e com a entrada do país na guerra, em 1941, a produção cinematográfica centrou-se em documentários de propaganda, em filmes de entretenimento e dramas, como Ivan, o Terrivel (Parte I) de Sergei Eisentein.

Um dos reflexos do conflito foi o êxodo de pessoas para os Estados Unidos. França não fugiu à regra e os realizadores que se mantiveram no país concentraram o seu trabalho em produções históricas ou alegóricas, destacando-se os trabalhos de Marcel Carné e Robert Bresson.

O pós-guerra na Europa é marcado pelas medidas contra o cinema americano, na tentativa de desenvolver as várias cinematografias nacionais. O melhor exemplo é a criação, em França, do Centre National de la Cinématographie (CNC), ainda hoje um importante pilar na indústria cinematográfica francesa.

Ao contrário da Europa, a produção cinematográfica americana do inicio da década é pujante e capaz de produzir filmes tão diversos como: Vinhas da Ira (drama social), Rebecca (thriller), Casamento Escandaloso (comédia) e O Grande Ditador (sátira). Com a entrada do país na guerra, Hollywood contribuiu também com a sua parte, quer através do recrutamento de actores e outros criativos para a frente de batalha, quer com a produção de filmes de “propaganda”: recorde-se o trabalho do realizador Frank Capra para o exército e filmes de ficção como A Família Miniver, Desde que Tu Partiste, Forja de Heróis, Trinta Segundos sobre Tóquio e, o melhor exemplo de todos, Casablanca.

O inicio da década é também marcada pela estreia do que é considerado como o melhor filme de todos os tempos: O Mundo a Seus Pés. Escrito, realizado e interpretado por um jovem Orson Welles, o filme cedo se viu envolto em polémica devido ao facto de relatar a história do magnata William Hearst, que tudo fez para impedir a distribuição do filme, acabando este por ser um fracasso de bilheteira.

Com o final da guerra avizinhava-se bons tempos para o cinema americano, tanto para mais que o ano de 1946 revelou-se o mais lucrativo até ai. No entanto, um conjunto de factores ensombrou a indústria cinematográfica americana, nomeadamente: greves e a inflação, que provocaram o aumento dos custos de produção; as restrições europeias à importação de filmes americanos; e o aparecimento da televisão. O resultado foi o declínio do número de espectadores de 90 milhões em 1948 para menos de 50 milhões, dez anos mais tarde.

Paralelamente, os estúdios de Hollywood sofreram um rude golpe quando, em 1948, por ordem do governo, tiveram de se desfazer das salas de cinema que detinham. Os estúdios ficaram, assim, sem forma de escoar directamente os seus filmes (e controlar o mercado), passando a ficar sujeitos às exigências dos exibidores e dividir os lucros com estes.

1948 ficaria ainda marcado pelo inicio do Comité de Investigação de Actividades Anti-Americanas, que tinha por objectivo investigar supostas actividades subversivas e erradicar a presença comunista na América. Embora tenha investigado vários sectores da sociedade, Hollywood foi o alvo preferencial do Comité devido à sua alta visibilidade. As investigações levaram à suposta identificação de um vasto número de pessoas com ligações ao partido comunista, tendo estes sido banidos de Hollywood durante anos. Alguns, nomeadamente argumentistas, conseguiram trabalhar sob pseudónios, como foi o caso do vencedor do Óscar para melhor argumento em 1956, mas a maioria ficou sem trabalho.

Imagem promocional de "O Mundo a Seus Pés, realizado e interpretado por Orson Welles"

Imagem promocional de "O Mundo a Seus Pés, realizado e interpretado por Orson Welles"

Timeline, Década 1940-1949

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