home :| Sétima Arte |: a história do cinema, década por década, ano a ano


História do Cinema: 1980-1989

Blockbusters, Parte II: As Sequelas

Cartaz da sequela "O Regresso de Jedi"

Cartaz da sequela "O Regresso de Jedi"

Após se ter reiventado na década anterior, a indústria cinematográfica norte-americana é dominada, nos anos 80, pelos blockbusters e pelas sequelas. Se em 1975 e 1977, Tubarão e Guerra das Estrelas, respectivamente, demonstraram que existia uma vasta camada de público jovem que se sentia atraída por grandes espectáculos cinematográficos, O Império Contra-Ataca e O Regresso de Jedi provaram que o público queria mais do mesmo. Assim, a produção cinematográfica revelou-se uma competição para ver quem conseguia produzir o maior espectáculo, gerar mais sequelas, vender mais merchandising e, claro, gerar mais dinheiro.

O excesso, a imagem de marca da década de 80, revelou-se em filmes como Caça-Fantasmas, Rambo, Arma Mortífera, Assalto ao Arranha-céus e Batman, todos eles sucessos de bilheteira. Filmes dirigidos aos mais velhos tornaram-se escassos numa indústria que se reorganizou à volta do Verão e do Natal, período em que os mais jovens não têm aulas.

Dominado pelos filmes-espectáculo, Hollywood viu o orçamento médio de um filme disparar vertiginosamente, grande parte gasto em publicidade. Como forma de proteger os seus investimentos, os estúdios contratam criativos (actores, realizadores, argumentistas) com provas dadas, pagos a peso de ouro. Neste cenário, alguns actores, “ajudados” pelos seus agentes, ganharam um poder nunca antes visto e conseguiram salários verdadeiramente astronómicos, com base em complexos contratos, que incluíam também parte dos lucros das receitas de bilheteira.

Muito embora alguns falhanços comerciais, Hollywood manteve, durante a década, uma economia invejável, sustentada pelos sucessos de bilheteira, pela massificação dos gravadores de vídeo (VHS) e da televisão por cabo, assim como pelo aumento do domínio dos filmes norte-americanos nos mercados internacionais.

Preocupados em criar um espectáculo ainda maior que o anterior, os grandes estúdios de Hollywood sentiam-se relutantes em apostar em histórias pouco convencionais e a procura de filmes de qualidade começou a ser preenchida, já no final da década, por empresas independentes como a New Line e a Miramax. Este movimento independente, que viria a consolidar-se nos anos 90, teve como pilar importante o Festival de Sundance, organizado pelo instituto com o mesmo nome, criada pelo actor Robert Redford em 1980 para ajudar jovens realizadores. O Festival tornou-se numa excelente montra, revelando novos talentos e dando a conhecer filmes que dificilmente chegariam às salas de cinema. O mais importante filme revelado pelo Festival foi Sexo, Mentiras e Vídeo, que, em 1989, transformou o panorama cinematográfico independente norte-americano e o próprio evento, confirmando que o cinema independente conseguia produzir filmes de qualidade e atrair público às salas de cinema.

Fora dos Estados Unidos, a década de 80 revelou-se um período prolífero em filmes de qualidade, embora as produções norte-americanas dominassem os diversos mercados internacionais. Na Europa, realizadores como Bertrand Tavernier e Diane Kurys (França), Pedro Almodóvar (Espanha), Stephen Frears e Neil Jordan (Grã-Bertanha) são aclamados pelos seus filmes e aumentam o prestígio da produção europeia.

Na União Soviética, a década é um tempo de criatividade, resultado dos ventos de mudança que o país atravessa com a liderança de Mikhail Gorbachev. O 5º Congresso dos realizadores soviéticos, em 1986, marca uma nova era de abertura e independência na produção cinematográfica do pais. Nikita Mikhalkov, Andrei Tarkovsky e Tergiz Abuladze são apenas alguns dos realizadores cujos trabalhos marcam esta nova era da cinematografia soviética.

Também a atravessar um período de transformação, a China assiste a um rejuvenescimento cinematográfico, nomeadamente com a reabertura da Academia de Cinema de Beijing (fechada desde a Revolução Cultural nos anos 60) e cujos primeiros licenciados (Zhang Yimov, Chen Kaige, entre outros) dão um novo impulso ao cinema chinês e tornam-se internacionalmente conhecidos como a 5ª geração de realizadores chineses.

Cassetes VHS

Cassetes VHS

Timeline, Década 1980-1989

1980

1981

1982

1983

1984

1985

1986

1987

1988

1989


(c) Rui Chambel 2021 | info@setimaarte.net | Sobre