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História do Cinema: 1990-1999

Os independentes

Imagem do filme independente "O Projecto Blair Witch"

Imagem do filme independente "O Projecto Blair Witch"

À entrada da década de 90, os blockbusters continuavam a dominar Hollywood, mas os seus custos eram cada vez maiores e incomportáveis. Filmes com orçamentos entre os 100 e os 200 milhões de dólares tornaram-se comuns devido aos custos dos efeitos especiais, mas principalmente devido aos salários das estrelas, que podiam atingir os 20 milhões de dólares por filme. Com estes custos grande parte das produções estavam condenadas a perder dinheiro, mas o sucesso de filmes como Exterminador Implacável 2, Parque Jurássico, Forrest Gump e, principalmente, Titanic, desafiavam a lógica e sustentavam a economia de Hollywood.

À medida que os blockbusters cresciam em espectáculo e em custos, surgiam no mercado filmes de menor orçamento, mas de maior qualidade e que aos poucos começaram a ganhar o seu espaço. Iniciado com a criação do Instituto Sundance na década de 80, este “movimento”, que incluía realizadores como Quentin Tarantino, Kevin Smith, os irmãos Cohen, Todd Solondz, entre outros, soube tirar proveito do mercado, explorando de uma forma extremamente eficaz os diversos canais de distribuição de filmes: vídeo, canais por cabo, internet, salas de cinema, entre outros.

Hollywood viu-se, então, confrontada com uma nova realidade, que teve o seu ponto alto no final da década quando a produtora independente Miramax dominou, quase por completo, os Óscares. Mais surpreendida ficou quando o filme de baixo orçamento O Projecto Blair Witch (1999) arrecadou mais de 140 milhões de dólares, tornando-se num dos mais lucrativos filmes da história do cinema e obrigar Hollywood a levar a sério a internet como meio de comunicação.

Por detrás das câmaras, Hollywood também estava em transformação: a Disney tornou-se numa das mais poderosas empresas cinematográficas; a Orion Pictures, fundada em 1978, foi à falência em 1991 e três anos mais tarde o realizador Steven Spielberg, o ex-executivo da Disney Jeffrey Katzenberg e o magnata da música David Geffen formaram o primeiro estúdio de Hollywood em décadas, a Dreamworks SKG. Mas a transformação mais significativa dá-se a nível técnico, com o formato digital a abrir novas possibilidades, quer a nível de realização e montagem dos filmes, quer na distribuição destes. A verdadeira revolução digital a que se assistiu possibilitou a proliferação de novos realizadores, que de uma forma mais barata conseguiam realizar e distribuir os seus filmes.

Num mundo cada vez mais global e ajudado pelo movimento dos independentes nos Estados Unidos, diversas cinematografias nacionais começaram a ganhar o seu espaço: os filmes de Hong Kong, onde se destacam os protagonizados por Jackie Chan e Chow Yun-Fat, ganham cada vez maior aceitação no ocidente; Jane Campion e Peter Jackson dão uma nova força à cinematografia da Nova-Zelândia; Regresso a Howards End, Jogo de Lágrimas, entre outros reforçam a imagem de qualidade da Grã-Bertanha; na Dinamarca surge o único movimento cinematográfico da década (Dogma 95) e a Itália consegue a honra de ter dois filmes candidatos ao Óscar de melhor filme.

Imagem promocional de "Toy Story - Os Rivais"

Imagem promocional de "Toy Story - Os Rivais"

Timeline, Década 1990-1999

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1997

1998

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